



Pelas freguesias, os campos de cereais e as árvores de fruto conferem à paisagem rural uma beleza dificilmente igualável, enobrecida ainda mais pela imponente arquitectura religiosa, com igrejas e capelas de rara beleza.
Hoje, a vila de Figueira e o seu concelho são conhecidos e reconhecidos pelo seu rico património monumental, pela beleza das suas paisagens, pelo sabor da sua gastronomia e dos seus vinhos e pela hospitalidade das suas gentes.
O município é limitado a norte pelo município de Freixo de Espada à Cinta, a leste pela Espanha, a sul por Almeida,
a sudoeste e oeste por Pinhel e a noroeste por Vila Nova de Foz Côa. Fica em Terras de Riba-Côa de vastas paisagens,planaltos,fortalezas (castelos) junto ao vale do Côa e nos contrafortes da majestosa Serra da Marofa.
O concelho teve foral em 1209, sendo até 1836 a sua sede na freguesia de Castelo Rodrigo.
Castelo Rodrigo está situado no cimo de uma colina com a altitude de 820 metros que faz parte da Meseta Hispânica, tendo a seus pés, do lado norte, Figueira, do sul, as terras de Vilar Torpim, do nascente, a sua anexa de Nave Redonda e do poente, as freguesias de Colmeal e Freixeda do Torrão, das quais é separado pelas serras da Vieira e da Marofa.
Castelo Rodrigo conserva ainda o plano medieval de praça circular com cintura de muralhas, as quais teriam sido, inicialmente construídas pelos romanos, quando ali teriam edificado um grande forte. Destruídas pelos povos que se lhes seguiram, em 1209, o rei de Leão, D. Afonso IX, cria o "concelho perfeito" de Castelo Rodrigo, concede-lhe os primeiros foros e reconstrói-as, para se defender dos portugueses que, na altura, se encontravam a norte do Douro.
O nome Castelo Rodrigo provém do conde Rodrigo Gonçalves Girão que repovoou esta região ainda antes da nacionalidade e passou também a fazer parte do território nacional a partir do Tratado de Alcañizes, desempenhando um papel preponderante de defesa do território.
D. Fernando mandou reparar as muralhas que logo vieram a ser palco de numerosas lutas. No decurso da crise de 1383-1385, o facto do alcaide-mor de Castelo Rodrigo ter jurado fidelidade a Dª. Beatriz e ter recusado as chaves ao Mestre de Avis terá condicionado essas lutas e arruinado de novo a fortaleza. D. João I, punindo a vila, impôs-lhe nas suas armas o escudo invertido e coloca-o na frontaria da torre de menagem, subordinando-a ao Castelo de Pinhel.
D. Manuel, mandou reedificar as muralhas, fortificando-as com treze torreões em forma semicircular com ameias e caminho de ronda e as suas quatro portas. Dentro das muralhas foi erigido em 1590 o palácio de Cristóvão de Moura, Conde de Castelo Rodrigo e um dos homens mais notáveis da sua época. É um edifício grandioso e imponente que está situado no coração do Castelo. No período da Restauração, face à actuação de Cristóvão de Moura, adepto incondicional do monarca castelhano, acendeu-se a fúria popular contra os defensores do usurpador que incendiaram o palácio, provocando a sua ruína que ainda é bem visível.
Dentro da área das muralhas existe a igreja matriz que terá sido construída por uma confraria de frades hospitaleiros que se estabeleceram em Portugal em 1192. Propunha-se esta congregação ajudar os peregrinos que se dirigiam para Santiago de Compostela ou para Roma.
Desde os primórdios da nacionalidade que o Castelo de Almeida assegurou a defesa da Vila e dos seus moradores. A edificação dessa construção medieval é tradicionalmente atribuída ao rei D. Dinis, mas existem alguns indícios documentais de que esse Castelo já existiria desde épocas anteriores, nomeadamente desde o reinado de D. Afonso Henriques. O Tratado de Alcañizes, assinado a 12 de Setembro de 1297, passou definitivamente Almeida para o território português.
O Castelo de Almeida foi uma edificação imponente que sofreu constantes melhorias ao longo dos séculos. Almeida foi, durante a época medieval, e continuaria a ser no futuro, um ponto-chave na defesa da Beira. Através dos desenhos de Duarte de Armas, sabe-se que o castelo no século XVI era uma construção "majestosa", apresentando dupla cintura de muralhas, de forma trapezoidal, rodeadas por um fosso, possuindo quatro torres redondas posicionadas nos ângulos da muralha externa.
As muralhas são feitas de cantaria e têm quatro portas que em tempos idos comunicavam com o exterior por meio de pontes levadiças. A praça é circundada de fossos com uma altura média de 10 metros e uma largura variável de 62 metros. A Vila era completamente cercada pelas muralhas.
Esta fortaleza, como ponto-chave da defesa da Beira e jóia da arquitectura militar do nosso país, foi sempre um reduto quase inexpugnável e esteve ligada a importantes páginas da história nacional.
Em 1927 perdeu definitivamente a função militar.
Projectada para a defesa da nacionalidade, Almeida é hoje um dos marcos da arquitectura militar abaluartada em Portugal, orgulhando-se das suas muralhas e do espaço que os antepassados nos legaram. Foi a coragem de generais, soldados e população que lutaram contra invasores que incutiu Alma ao país na defesa Lusa e esta lhe respondeu "Alma até Almeida".
Quem de Figueira Castelo Rodrigo se desloque para Almofala, encontra a 3 Km desta localidade os restos de uma torre. Esta serviu de atalaia e será o que resta de algum templo romano que através dos séculos sofreu várias modificações e é reaproveitado na Idade Média para torre defensiva. A sua construção é anterior à do Convento de Santa Maria de Aguiar - 1170 - e, como seria um lugar forte, ali se terão albergado os frades enquanto edificavam o seu convento. Em 23 de Agosto de 1989, foram iniciadas escavações, naquela torre, orientadas pela arqueóloga Dr.ª Helena Frade. Dos trabalhos executados, poder-se-á concluir tratar-se de um monumento de fundação romana, utilizado como atalaia durante toda a Idade Média, com paredes e calçadas de estruturas medievais que foram construídas adossadas ao primitivo edifício. Terá sido, possivelmente, um templo, conservando parte das paredes a sua altura original, tornando-se, assim, um dos edifícios da época romana mais altos e mais conservados do país.
Acerca deste monumento existe uma lenda que reza assim:
Governava naquelas paragens e habitava a torre gentil-homem que, sem precauções devidas à época, se desviou excessivamente da zona protectora da torre, à caça, para as arribas do Águeda, quando se viu atacado pelos mouros que rondavam aquelas paragens e há pouco tempo dali haviam sido expulsos.
Os mouros matam-no, mas um dos seus servos conseguiu avisar a esposa, senhora muito piedosa que quando se abeirou da última janela da torre avistou lá ao longe aqueles que haviam de fazer-lhe o mesmo que ao marido.
O fidalgo deixara, como era seu hábito, a porta da torre bem fechada e só ele a podia abrir. Tão fervorosamente pediu a Santa Maria de Aguiar que a livrasse das mãos dos infiéis e a protegesse quando se atirasse da janela da torre, pois preferia morrer que ser ultrajada, que a Santa atendeu, colocando-lhe em terra um cavalo alado que a aparou e sã e salva a foi colocar em bom lugar.
Diz-se também que, por gratidão, doou a Santa Maria de Aguiar todos os seus bens e que o chefe Mouro tão impressionado ficou com o milagre que presenciou, que se converteu ao cristianismo.
Existe uma barragem - a de Santa Maria de Aguiar - que abastece de água todo o concelho e as freguesias de Almendra e Castelo Melhor de Vila Nova de Foz Côa.
Merece referência especial o rio Côa que ali passa por ser o menos poluído de Portugal e o melhor viveiro de trutas da Europa. Já em 2 de Maio de 1758, o Abade de Algodres, Paulo Cabral Gouveia, nos quesitos que lhe foram feitos por Sua Majestade Fidelíssima, informava que o rio Côa era de arrebatado curso, desaguava no Douro e "cria abundância de barbos e bogas e das suas águas se valerão os moinhos para moer o pão".
A serra da Marofa é a cúpula daquilo a que se poderá chamar cordilheira, pois tem várias componentes que tomam o nome das freguesias ou locais onde elas se encontram. De qualquer ponto escolhido na sua extensão se desfrutam belíssimas e vastas paisagens atingindo o seu auge, por ser o mais alto, no pico da Marofa. Do cume, a 975 metros ter-se-á uma vista de 360º. Para leste, a Barragem de Santa Maria de Aguiar, já perto da raia. Para nordeste, a aldeia de Castelo Rodrigo com os restos da fortificação a rodear o cabeço, situando-se a sede do concelho (Figueira de Castelo Rodrigo) a 3 km. Para norte adivinha-se o profundo vale do Douro (na região de Barca d´Alva), para sul Vilar Torpim e para oeste distingue-se a formação geológica da Garganta do Colmeal. É de referenciar a Capela de Nossa Senhora de Fátima da Marofa, a Via - Sacra, estendida na encosta norte, e nas vertentes sul-poente um conjunto de capelinhas evocativas dos Mistérios do Rosário que, dada a sua rusticidade, bem se enquadram no meio ambiental em que se encontram implantadas. Nelas se albergam imagens correspondentes ao Mistério a assinalar e legendas elucidativas.
Não se pode esquecer uma belíssima estátua, em granito, de Cristo - Rei, de braços abertos acolhendo neles todo o concelho e uma cripta onde, nas suas paredes, se encontram embutidas as imagens dos padroeiros das freguesias do Arciprestado. Alguém disse que à beleza campestre se alia a presença de Cristo - Rei que, do cimo do seu magnífico pedestal rochoso, de braços abertos, lança a mão sobre a imensidade da planura e que este monumento, erguido em 1956, justifica, só por si, a visita à Marofa.
Aquando da restauração da independência, Castelo Rodrigo, que havia recebido foral de D. Manuel em 1508, ver-se- ia agraciado em 1664 com o título de Notável, devido à sua valentia na Batalha de Salgadela. À frente das tropas portuguesas esteve Pedro Jacques de Magalhães que ali venceu o Duque de Ossuna.
Em Mata de Lobos, encontra-se uma cruz, que a si se intitula como padrão, assinalando a data - 7 de Julho de 1664 - da vitória sobre os invasores.
Tem o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo potencialidades e condições excelentes para se tornar um apreciável pólo turístico. Faz-se sentir um apreciável surto turístico na época da caça e no mês da floração das amendoeiras. É sempre encantadora a vista que se desfruta do Alto da Sapinha. O panorama é deslumbrante e só por si compensa amplamente o turista do esforço que, porventura, tenha despendido para chegar até ali. Já data de 3 de Março de 1941 a primeira excursão às amendoeiras floridas de Barca de Alva.
Trata-se de uma paisagem cultural de grande beleza que enquadra e materializa 300 séculos de história e constitui um exemplo vivo do funcionamento da agricultura mediterrânica tradicional. É o maior conjunto de arte rupestre paleolítica ao ar livre na Europa Ocidental.
As gravuras abrangem o paleolítico superior (de 28.000 a 8.000 a.C.) com representações de bois selvagens, cabras e cavalos selvagens, o neolítico e o calcolítico (de 5500 a 2000 a.C.) com pinturas de homens e veados e a Idade do Ferro (1000 a. C.) com cenas de cavaleiros empunhando lanças. Como Cáceres Monteiro afirmou: "A região do Côa encerra um carácter místico especialíssimo, uma atracção magnética que se sentiu, desde sempre, no ar daquela terra de fragas e giestas. Com a descoberta das gravuras, parte desse mistério ficou finalmente explicado e aumentado". Uma frase de um paleontólogo do Museu do Homem de Paris forneceu o elemento essencial: "O vale constituía um santuário dos homens da Pré-História". Desde Agosto de 1996, são organizadas visitas a alguns núcleos de gravuras.
Podem ser visitados os núcleos de arte rupestre da:
- Penascosa, onde predominam os desenhos de cabras, um dos quais foi escolhido como símbolo do parque.
-
O itinerário Castelo-Melhor - Penascosa é um dos mais bonitos troços do Rio Côa,
- Muxagata - Ribeira de Priscos,
- Foz Côa - Canada do Inferno (na margem esquerda do rio e em pleno estaleiro da barragem),
- A Quinta da Ervamoira, uma propriedade privada situada no interior do parque que possui um Museu onde se expõe o património das épocas romana e medieval descoberto em escavações arqueológicas.